Gostaria de falar um pouco sobre a liberdade que a mastectomia proporciona, e do que aprendi com os meus pacientes trans.

O que é liberdade para você? Sei que esse conceito é muito amplo, e também muito subjetivo. Mas ao longo de minha carreira de cirurgião plástico, conversando com centenas de pacientes – inclusive os que passaram por uma mastectomia – e colegas ao redor do mundo, me convenço cada vez mais que a liberdade está ligada a outros 2 valores fundamentais: respeito e empatia.

Quando um paciente entra em meu consultório, e me conta o que incomoda em seu corpo, eu respeito profundamente esse sentimento. Seja uma correção no nariz, no abdômen, nas pálpebras, um implante de silicone nos seios, nos glúteos, nos braços, não importa.

E exerço a empatia, tentando me colocar no lugar dos pacientes. E é por isso que, após atender uma série de pessoas que estavam fazendo a transição FTM, me convenci de que um dos conceitos de liberdade é poder ir à praia sem camisa.

Sim, ir à praia sem camisa parece uma coisa banal. Mas não se você é um homem em um corpo de mulher, e vive em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde o culto ao corpo e à beleza está à flor da pele, 365 dias por ano.

E não há nada mais gratificante para um médico do que ver a alegria de um paciente com a liberdade proporcionada por uma mastectomia FTM. A cirurgia é uma das últimas etapas do processo de transição, e é indicada para pacientes que já fazem uso de hormônios.

Veja mais aqui e conheça as técnicas existentes.

Mas a cirurgia não é suficiente para que estes pacientes possam curtir a vida em total liberdade. A violência contra os transexuais infelizmente é uma realidade. A comunidade trans é uma das mais que mais sofre preconceito no mundo.

Recentemente, Hollywood vem lançando uma luz sobre o tema. A série Transparent, premiada com um Globo de Ouro, tem como protagonista um professor aposentado, divorciado, pai de três filhos que resolve se declarar transexual.

Outra série americana, Sense8, tem uma transexual no papel da hacker Nomi. A atriz Jamie Clayton acabou virando uma porta-voz de Hollywood sobre transexualidade. Sense8 é dirigida pelas irmãs Wachowski, antes conhecidas como irmãos Wachowski, que dirigiram a trilogia Matrix.

Torço para que mais exemplos como esses apareçam, seja nas praias da Califórnia ou aqui no Rio. E que um dia todos possam ter a liberdade de ir à praia sem camisa, e sem preconceito.

Um grande abraço,

Dr. Alexandre Charão

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